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Há cinco anos, a esperança desembarcava em Juazeiro, no Norte da Bahia. Na manhã de 19 de janeiro de 2021, o primeiro lote de vacinas contra a Covid-19 chegou ao município, marcando o início de um novo capítulo após meses de medo, sofrimento e perdas profundas causadas pela pandemia. A campanha de imunização havia começado em âmbito nacional um dia antes, em 18 de janeiro de 2021, quando o Brasil já contabilizava cerca de 210 mil mortes provocadas pela doença. Em meio a um cenário de luto coletivo, a chegada do imunizante reacendeu a expectativa de dias melhores para milhões de brasileiros.
A vacinação teve início pelos grupos mais vulneráveis, especialmente idosos e profissionais de saúde, que atuavam diretamente na linha de frente no combate ao vírus. Com o avanço da campanha e a chegada de novos lotes, a imunização foi gradualmente ampliada até alcançar toda a população. O momento representou um verdadeiro ponto de virada no enfrentamento à Covid-19, trazendo alívio após meses de restrições severas, altos índices de contaminação e um sistema de saúde sob enorme pressão.
Na Bahia, as primeiras doses da CoronaVac chegaram na noite de 18 de janeiro de 2021 e começaram a ser aplicadas de forma ampla já no dia seguinte. Em Juazeiro, os efeitos da pandemia foram severos. Até 19 de janeiro de 2023, o município havia registrado 507 mortes em decorrência da Covid-19, número que cresceu de forma mais intensa durante os picos da crise sanitária.
Um dos nomes diretamente ligados a esse capítulo histórico em Juazeiro é o médico Pedro Alcântara, então coordenador do Núcleo Regional de Saúde Norte (antiga 15ª Dires), cargo que ocupa até hoje. Coube a ele conduzir a logística de recebimento e distribuição das vacinas destinadas não apenas a Juazeiro, mas a outros dez municípios da região Norte da Bahia.
O primeiro lote recebido pelo Núcleo contou com 4.800 doses, das quais 2.550 foram destinadas a Juazeiro. Sob a coordenação de Pedro Alcântara, as vacinas foram rapidamente distribuídas para os municípios de Remanso, Campo Alegre de Lourdes, Pilão Arcado, Curaçá, Uauá, Canudos, Sobradinho, Casa Nova e Sento Sé, além da cidade polo.
“O avião da esperança”
Em um depoimento emocionado ao Portal Preto no Branco, o médico relembra os dias mais duros da pandemia e a simbologia da chegada das vacinas à região.
“Quando se fala em Covid-19, me vem à cabeça todo aquele drama que nós vivemos. Eu me lembro de entrar nos hospitais, ainda sem vacina, apenas com os equipamentos de proteção individual, visitando UTIs lotadas, vendo pessoas entubadas, colegas de profissão adoecendo e morrendo. Foi um período de uma tristeza sem fim”, recordou.
Segundo ele, a chegada das vacinas representou um dos momentos mais marcantes de sua trajetória profissional, após mais de 50 anos dedicados à medicina.
“Eu estava no aeroporto de Petrolina, por volta das quatro horas da manhã, quando vi o primeiro avião se aproximando. O sol começava a nascer, a lua se despedia, as estrelas já apagadas, e aquele avião piscando no céu. Eu o batizei de ‘avião da esperança’. Ele trazia vida. No mesmo dia, todos os municípios da região já estavam com vacina. Sempre disse: vacina boa é vacina no braço.”
O médico também ressaltou o papel fundamental da ciência, da saúde pública e da comunicação no enfrentamento ao negacionismo.
“Foram momentos que não podem ser esquecidos. A saúde e a comunicação não pararam. Caminharam juntas contra a desinformação, contra as fake news e contra o negacionismo. Esse abraço entre a comunicação verdadeira e a saúde salvou milhares de vidas. E continua salvando.”
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, Juazeiro aplicou 291.038 doses de vacinas contra a Covid-19 em 2021, ano marcado pelo início da campanha e pelo maior volume de imunizações. Em 2022, foram aplicadas 165.900 doses, acompanhando a ampliação da cobertura vacinal e as doses de reforço. Já em 2023, o número caiu para 43.412 aplicações, reflexo da redução da procura e da estabilização do cenário epidemiológico. Em 2024, foram registradas 6.214 doses aplicadas, enquanto em 2025 esse total chegou a 4.817, evidenciando a diminuição gradual da demanda ao longo dos anos seguintes à fase mais crítica da pandemia.
Cinco anos depois, a chegada da vacina contra a Covid-19 permanece como um marco histórico em Juazeiro, símbolo da ciência, do SUS e da resistência de uma cidade que enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua história, e venceu!
Redação PNB, por Rayza Rocha