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A Convivência com o Semiárido paraibano se manifesta como um poderoso ato de resistência e cuidado com a vida. Nos municípios de Remígio, Esperança e Lagoa Seca, o Polo da Borborema demonstra que a agricultura familiar é protagonista na produção de alimentos saudáveis e na promoção da segurança alimentar. Ao contrário do modelo de monoculturas do agronegócio, as quitandas da Borborema, as feiras agroecológicas e a CoopBorborema valorizam a biodiversidade local ao oferecer produtos como milho livre de transgênicos e batatas nativas. Além dos alimentos, também fazem parte dessa diversidade de cultivos o algodão agroecológico, importante para a geração de renda das famílias agricultoras.
Essa experiência evidencia o protagonismo feminino e a liderança de jovens, que assumem os processos agrícolas, promovendo saúde por meio de alimentos naturais e livres de agrotóxicos. Um ponto central dessa estrutura são os circuitos curtos de comercialização, representados pelas feiras e quitandas, que conectam diretamente quem produz a quem consome, eliminando intermediários e fortalecendo a economia solidária. Ao optar pelo consumo da agricultura familiar, o consumidor financia a conservação do meio ambiente e o fortalecimento das comunidades.
Nesse cenário, o Banco de Sementes da Paixão surge como uma estratégia de soberania alimentar. Diferente do modelo comercial que gera dependência de sementes muitas vezes transgênicas, o banco comunitário assegura que agricultores e agricultoras tenham controle total sobre sua produção. As famílias organizam e gerem coletivamente seus estoques, preservando sementes ancestrais e crioulas que são adaptadas ao clima da região. Esse resgate protege a biodiversidade e a história das comunidades, garantindo o acesso a um alimento limpo que respeita o ciclo tradicional da terra.
A força dessa organização feminina pôde ser observada por mulheres do Território Sertão do São Francisco, na Bahia, que visitaram a experiência no município de Queimadas, na Paraíba. Esse banco de sementes, organizado e liderado por mulheres, serviu de exemplo para a gestão coletiva no campo, é um instrumento político de preservação cultural, além de possibilitar guardar, trocar e multiplicar as próprias sementes. Dessa forma, a agricultura familiar reafirma sua autonomia e planta, com as próprias mãos, o futuro da soberania alimentar.
Assista os vídeos e confira um pouco como foi essa experiência.
https://www.youtube.com/shorts/RKoDe5EDMcQ