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Ao visitar a propriedade da jovem Iara Vasconcelos, de 23 anos, na comunidade Lagoa dos Bois, em Remanso-BA, o que se nota de imediato é a alegria estampada em seu rosto ao apresentar o canteiro produtivo telado, uma conquista que materializa o direito à terra e à tecnologia. Ali, a diversidade e o verde vibrante das hortaliças encantam os olhos. Iara e seu companheiro, Ronaldo de Araújo, de 28 anos, transformaram o cotidiano através do cultivo de alface, couve, coentro, pimentão e plantas medicinais como hortelã, menta, mastruz e açafrão.
A família integra o grupo de 70 assessorados/as pelo projeto ATER Bahia Sem Fome, executado pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), no município. O projeto ofereceu ao casal a oportunidade de acessar conhecimentos técnicos fundamentais sobre produção, manejo animal e beneficiamento.
A partir da dinamização da base produtiva, a família recebeu um canteiro telado que possibilitou melhorar a produção de hortaliças que ainda era tímida. Com a instalação do canteiro telado, a produção que antes era limitada pela exposição direta aos fatores climáticos e pela criação de galinhas que ocupou o espaço do cultivo, ganhou projeção e escala. Estimulados pelas formações sobre crédito rural, Iara e Ronaldo buscaram financiamento para expandir a área. O efeito foi imediato na segurança alimentar da casa: “Antes a gente comprava, hoje a gente só vai ali no quintal e sabe que é saudável, sabe de onde veio, qual foi o processo para plantar e colher”, afirma Iara.
O sucesso do cultivo permitiu que a família passasse de consumidores a fornecedores. O excedente da produção já é comercializado na própria comunidade e começa a chegar às feiras da cidade de Remanso. Atualmente, a irrigação é feita por sistema de gotejamento, utilizando água de poço e do barreiro da família dos pais de Ronaldo, evidenciando a importância da gestão hídrica para a continuidade do trabalho, além de demonstrar uma dependência em relação ao acesso à água para produção.
A partir da adesão e participação assídua no projeto, da integração de políticas públicas e articulação da equipe técnica com outras organizações, a família foi contemplada com uma cisterna de consumo (primeira água) através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), executado pela Articulação Sindical Rural da Região do Lago de Sobradinho. A estrutura, ainda em fase de construção, garantirá água potável para beber e cozinhar, eliminando a necessidade de buscar o recurso também na casa dos pais de Ronaldo.
A integração de políticas públicas, contribui com o avanço das famílias, proporcionando uma transformação real. “Os resultados mais visíveis numa propriedade, quando a gente vê a integração de várias políticas públicas, desde assessoria técnica, a programas sociais, a benefício de transferência de renda e acesso ao crédito rural. Então, quando essas políticas estão juntas, a gente consegue visualizar mais o resultado e ver as famílias mudando de vida”, explica o técnico do Irpaa, Ivan Ferreira, que acompanha famílias rurais assessoradas pela ATER Bahia Sem Fome, em Remanso.
A transformação observada na propriedade de Iara e Ronaldo não é um evento isolado, mas a prova da eficácia do investimento público direcionado. A integração entre ATER, crédito rural e infraestrutura hídrica forma o tripé necessário para romper ciclos históricos de desigualdade no Semiárido. Quando o Estado atua como indutor do desenvolvimento através de políticas de Convivência, ele promove as condições de permanência da juventude no campo; e com dignidade. Políticas de fortalecimento da agricultura familiar já se consolidaram como gestos de soberania nacional, garantindo que o alimento saudável chegue tanto à mesa do agricultor quanto ao mercado local.
Testemunhar a melhoria na qualidade de vida das famílias é, também, um combustível para os/as técnicos/as que enfrentam cotidianamente a realidade de quem já teve direitos negados. Para Ivan, ver os resultados no campo é a prova de que a Convivência com o Semiárido transforma vidas. “Quando vemos uma família assessorada colhendo frutos, produzindo e comercializando, temos a motivação de que o trabalho está dando certo. Sabemos que isso impacta diretamente na alimentação e na dignidade dessas pessoas”, reforça entusiasmado.
O projeto ATER Bahia Sem Fome, executado pelo Irpaa, atende hoje 490 famílias em seis municípios: Campo Alegre de Lourdes, Canudos, Curaçá, Pilão Arcado, Remanso e Sento Sé. A iniciativa é financiada pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural Bahiater e do Programa Bahia Sem Fome, vinculado à Casa Civil.
Texto e fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa