
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 revelam que o maior número de mortes violentas no país registrado no Nordeste, com um aspecto que diferencia a região das demais: a profunda desigualdade racial. Em Alagoas, uma pessoa negra tem 47,8 vezes mais chance de ser vítima de um homicídio do que uma não negra.
Não é coincidência o fato de as 10 cidades mais violentas do país serem nordestinas, lideradas por Maranguape, no Ceará, com MVI de 79,9/100 mil habitantes. A cidade da Região Metropolitana de Fortaleza é palco de disputas sangrentas entre facções locais pelo controle da distribuição e venda de drogas, como o Bonde dos 40 e os Guardiões do Estado (GDE), e facções de âmbito nacional.
A Bahia, que tem cinco municípios na lista dos 10 mais violentos, mostra um avanço do crime organizado para o interior do estado. Jequié, a 365 km de Salvador, assumiu, no ano passado, a segunda colocação no ranking do anuário (era a terceira, em 2024), com taxa de 77,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. Juazeiro, no norte do estado, é a terceira cidade mais violenta do país, com taxa de 76,2. Na Bahia, o PCC e o CV disputam o comando do mundo do crime com organizações locais, como o Bonde dos Malucos e o Honda.
O Centro-Oeste — “hub” do escoamento agrícola brasileiro — conta com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso como corredores vitais da logística das orcrim. O MS é responsável por 41% das apreensões de maconha no Brasil, devido ao avanço da Tropa do Castelar, dissidência do CV aliada ao PCC, que atua para garantir o transporte das drogas pela BR-163, rodovia que liga as regiões Norte e Sul, passando pelo Centr-Oeste.
As atividades ilegais de exploração da floresta, por sua vez, têm sido cobiçadas pelo CV. Na Terra Indígena Sararé, em MT, por exemplo, o grupo criminoso carioca passou a controlar diretamente o garimpo ilegal (ou narcogarimpo), impondo a cobrança de “mensalidades” de até 100g de ouro — aproximadamente R$ 70 mil — por operação “protegida” pelos criminosos.
O Sudeste reúne os pilares financeiros das grandes facções do país. Mas a forma de atuação das forças policiais é diferente. No Rio, os confrontos armados entre polícia e quadrilhas é mais visível. A Operação Redentor 2, por exemplo, deflagrada em dezembro pela PF, focou na desarticulação de fábricas de fuzis que abastecem as favelas. O grande número de armas nas mãos dos faccionados ajuda o crime a manter bases sólidas em comunidades fluminenses.
Operações policiais
O lado dramático dessa política de enfrentamento está no número de mortos decorrente das operações policiais. Em outubro do ano passado, a polícia fluminense entrou em três comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro para capturar líderes do Comando Vermelho. O saldo foi trágico: mais de 120 mortos. Para o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), a operação foi ineficaz e teve claro caráter político-eleitoral, para impulsionar a candidatura do governador Cláudio Castro ao Senado em 2026.
São Paulo, apesar de ser o berço do PCC, detém a menor índice de homicídios do país (8,2 por 100 mil). O foco do crime está no mercado financeiro e nos crimes de alta rentabilidade. O estado, por exemplo, enfrenta uma epidemia de fraudes — a taxa de estelionatos é 71,1% superior à média nacional, segundo o anuário.
Furtos e roubos de celulares se tornaram uma indústria no estado, que responde por quase um terço de todas as ocorrências desse tipo no país (31,4%). Os celulares roubados abrem portas para os crimes digitais e, depois, os aparelhos acabam alimentando redes de receptação ligadas ao PCC, que exportam aparelhos roubados para países da África e da Ásia.
Em ambos os casos, são crimes de alta rentabilidade e menor risco penal — caso do estelionato eletrônico, que alcançou quase 2 milhões de registros em 2023, com um golpe ocorrendo a cada 16 segundos, de acordo com o Atlas da Violência 2025.
redegn com informações Correiro Braziliense Foto ilustrativa Agencia Brasil
Foto: Divulgação/Reprodução