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Fortalecer o protagonismo e a permanência digna no campo foram as pautas que guiaram as discussões do Encontro Intermunicipal da Juventude Rural, realizado na Escola Família Agrícola da Caatinga (Efac), em Casa Nova, nos dias 28 e 29 de março.
A atividade, promovida pelo Irpaa por meio do projeto Ater Biomas, reuniu cerca de 40 jovens de comunidades tradicionais de Sobradinho, Casa Nova e Sento Sé para refletir sobre identidade, território, direitos e perspectivas de futuro sob a proposta da Convivência com o Semiárido.
As reflexões do primeiro dia giraram em torno da temática “juventude, identidade e território”. A programação teve início com a mística, que provocou questionamentos relevantes sobre uma realidade que impacta diretamente o futuro dos jovens: o dilema da migração forçada para as cidades em busca de oportunidades e o desejo de permanecer no campo.
Ao longo das atividades, os participantes compartilharam trajetórias, discutiram o perfil das juventudes do Semiárido e refletiram sobre os desafios enfrentados, como a falta de oportunidades, acesso a políticas públicas e valorização do modo de vida no meio rural.
Para a jovem Julia dos Santos Souza, a interação com outras realidades fortaleceu sua identidade como jovem do campo. “Pude compartilhar minha realidade e ouvir a deles. Ver a realidade de pessoas que moram distante e, mesmo com os desafios, têm motivação de estarem ali lutando, buscando melhorias, me deu um gás a mais para continuar na minha comunidade e tentar trazer essas melhorias para lá também”, afirmou.
As rodas de conversa possibilitaram espaços de expressão dos sonhos e expectativas destes jovens, evidenciando o desejo de permanecer no território com qualidade de vida, geração de renda, reconhecimento e afirmação de suas raízes.
A noite cultural encerrou o dia com apresentações de música, poesia e manifestações artísticas, reforçando a identidade e a diversidade da juventude rural.
O segundo dia de encontroteve como pauta“direitos, produção e inovação no semiárido”, focando no acesso a direitos, nas possibilidades de produção e na geração de renda no campo. Com debates sobre políticas públicas voltadas para a juventude rural, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – o Pronaf Jovem – Educação do Campo e as iniciativas das Escolas Famílias Agrícolas, as atividades em grupo estimularam os jovens a refletirem sobre o futuro desejado para suas comunidades e as alternativas econômicas existentes em seus territórios, destacando práticas produtivas adaptadas ao Semiárido.
Resgatando a temática do Dia Mundial da Água, um dos debates centrais girou em torno da relação entre Água e Gênero, expondo a desigualdade no acesso à água e o impacto direto na vida das mulheres.
A discussão evidenciou como a escassez hídrica e a má gestão dos recursos sobrecarregam historicamente as mulheres e limitam a autonomia das jovens no campo, afetando o cotidiano das famílias, especialmente no que diz respeito ao trabalho doméstico e à saúde.
Através da dinâmica “Caminho da Água na Comunidade”, os participantes analisaram a realidade local e a importância da gestão comunitária da água, reforçando que o acesso a esse bem comum é um direito humano inalienável e pilar da Convivência com o Semiárido.
O encontro encerrou com uma avaliação coletiva que reafirmou o compromisso dos jovens em multiplicar o conhecimento em suas comunidades, fortalecendo a organização social e incentivando a participação ativa na construção de políticas, em iniciativas nos territórios e na luta por um Semiárido mais justo, sustentável e com oportunidades reais para quem nele vive.
A técnica de Ater do Irpaa, Thaís Loranne, presente na atividade, destaca que esses momentos com a juventude são fundamentais para a formação de novas lideranças. “Para alguns jovens foi a primeira vez participando de espaços como esse. A gente apresentou quais são as políticas públicas que os beneficiam e as opções de renda, para assim terem opções melhores de permanecer no campo ou até mesmo sair para se profissionalizar e ir atrás de benefícios, não só para a juventude, mas para toda a comunidade”, pontuou.
Para o Irpaa, momentos como este são essenciais para que a juventude se reconheça enquanto sujeito político capaz de transformar sua realidade. A atividade reafirma o compromisso da instituição com a formação e valorização da juventude, reconhecendo seu papel fundamental na construção de um futuro sustentável, com justiça social e convivência com o Semiárido.
O projeto ATER Bioma é financiado pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensa Rural (Bahiater).
Texto e fotos: Irpaa