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Onde o olhar acolhe e a terra cura: o trabalho do Centro de Terapias Naturais Gianni Bande

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Quem chega ao Centro de Terapias Naturais Gianni Bande (CETGIB), no bairro João Paulo II, em Juazeiro, não encontra apenas ervas e infusões, encontra, antes de tudo, o olhar atento da Irmã Tereza, que vive no bairro desde 1994. Em um tempo em que as pessoas caminham desnorteadas e perdem o sentido do cuidado, ali o remédio começa na escuta. “Você não está só, eu estou aqui”, diz a religiosa. “A primeira coisa que a gente faz é essa escuta atenciosa, como diz o Padre Júlio Lancelotti: ‘escute sempre o outro, olhando no olho do outro’”.

A história do Centro de Terapias

Essa forma de cuidado nasceu na poeira e na resistência. Edmilson, que faz parte do Centro desde 2016, relata que a trajetória começou em 1985, a convite do bispo Dom José Rodrigues. Na época, o antigo bairro “Juazeiro 8” era uma periferia em formação, ocupada por famílias atraídas pela ilusão do “desenvolvimento” dos grandes projetos de irrigação. As Irmãs Oblatas de São Luís Gonzaga (Irmãs Luisinhas) assumiram a missão de morar no bairro para articular as Comunidades Eclesiais de Base, unindo a fé à organização social e política.

O compromisso das religiosas com a missão social logo se traduziu em gestos concretos. Ainda na década de 1980, a Irmã Arcângela, passou uma semana em greve de fome contra a exploração dos cortadores de cana da Agrovale, provando que a saúde do povo começa pela justiça no campo.

Foi essa forma de solidariedade que atraiu o apoio necessário para que o projeto crescesse. O Centro recebeu o nome de Gianni Bande em homenagem a um jovem italiano, irmão de uma das religiosas que coordenava os trabalhos em Juazeiro. Após o falecimento de Gianni na Itália, a família decidiu utilizar sua herança para consolidar o trabalho social no território, permitindo que a estrutura física fosse ampliada para atender a comunidade.

A conquista da autonomia feminina

O cuidado com a vida não se resumia às paredes do Centro, ele precisava chegar ao dia-a-dia das moradoras. Na época da chegada das religiosas, o bairro enfrentava a ausência de serviços básicos e políticas públicas, então, a missão começou com visitas às famílias. Ao reunirem as mulheres da comunidade, as irmãs lançaram a pergunta que abriria caminhos: “O que vocês anseiam?”. A resposta veio da fome e do desejo de dignidade. Elas buscavam formas de gerar a própria renda e fortalecer a economia dos seus lares.

Nos círculos bíblicos, a oração se transformou em ação prática: “Deus quer que a gente não passe fome. E como não passar fome? Terra. Terra para quê? Pra plantar”. Foi desse diálogo que surgiu a Horta Comunitária Povo Unido, o primeiro trabalho social das irmãs, voltada primordialmente para a geração de renda das mulheres. O que nasceu de uma inquietação bíblica hoje alimenta cerca de 80 famílias com produtos orgânicos.

Os anseios, porém, iam além do prato. Para que o protagonismo feminino na horta e em outras frentes de trabalho fosse possível, elas precisavam de um suporte coletivo para o cuidado com os filhos. Assim, a missão avançou para a construção de uma creche no bairro Antônio Guilhermino, garantindo às mães o direito ao trabalho e ao suporte comunitário. Como diz Irmã Tereza: “É tudo por causa do grande amor: Jesus. Só por Ele e pelo grito do povo. Como o Papa Francisco dizia: Através do grito do povo, é esse o meu lugar”.

Farmácia viva e soberania na saúde

No Gianni Bande, a saúde é tratada como soberania. O Centro cultiva mais de 70 variedades de plantas medicinais, como a Babosa e o Capim-santo, além de espécies nativas da Caatinga como a Umburana, o Pau-ferro e a Aroeira, que dão origem à produção de extratos (tintura), xaropes, cápsulas e ervas desidratadas.

Edmilson e as Irmãs defendem que a medicina integrativa deveria ser acessível a todos pelo SUS, valorizando o saber popular tanto quanto o científico. É uma política de autonomia, onde o povo da periferia e do campo aprende que não precisa ser dependente apenas de farmácias e filas de espera quando se tem o conhecimento das plantas e do próprio corpo.

Um porto seguro para os movimentos sociais

A identidade de luta do CETGIB é o que aproxima movimentos como o MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração). Adrielle Régis, militante do movimento, destaca que o espaço oferece o suporte emocional e a nutrição necessária para a militância. “Para debater a política é preciso estar de barriga cheia e emocionalmente bem”, destacando que ali a saúde não é tratada de forma hierárquica. “A saúde [aqui] trabalha sobretudo na perspectiva da prevenção, mas também da dimensão espiritual e ancestral, do conhecimento das práticas integrativas e complementares”.

Desafios e resiliência

Manter o Centro vivo é um desafio diário de sustentabilidade. Sem financiamento público fixo, a instituição conta com parcerias universitárias e valores simbólicos das terapias. Edmilson afirma: “Nós estamos insistindo e persistindo, sendo resilientes”. Mesmo em meio a dificuldades, o saber das irmãs e terapeutas viaja para outras cidades, comunidades quilombolas e grupos de mulheres rurais, levando alívio e prevenção. Como resume Irmã Tereza, citando Leonardo Boff: “cuidar é mais do que um ato, é uma atitude”.

O sentido do cuidar

A recompensa por tanto esforço se materializa no sono tranquilo de quem redescobriu a paz. Irmã Tereza recorda o dia em que uma amiga, atravessada pelo luto, buscou refúgio em seu olhar: “Ela me disse: ‘Eu estou destruída e preciso do seu suporte’, cuidamos dela com as terapias, escutamos, tomamos um chá. Hoje ela me diz: ‘Obrigada, desde aquele dia eu consigo dormir em paz’”. A religiosa afirma: “Só vale a pena viver se você estiver cuidando do outro, esse é o sentido da vida”.

Ao receber novos visitantes, o convite é sempre para o autocuidado: “agora é o momento de você se cuidar e se desconectar do mundo lá fora”. Ela alerta, porém, que muitos só buscam o Centro quando a saúde já está “desmoronada” e reforça a importância do cuidado preventivo.

As dimensões do trabalho do centro

Hoje, o Centro de Terapias Naturais Gianni Bande se consolida como um território de cuidado e resistência. Seu trabalho, voltado para a valorização dos saberes tradicionais e para o fortalecimento do protagonismo feminino, se firma na ideia de que “a saúde brota da natureza”.

Cuidado integral: a Bioenergia identifica causas de enfermidades e orienta uma alimentação curativa, respeitando o que o organismo permite ou rejeita, enquanto terapias como Reiki, Argiloterapia e Escalda-pés, além do uso do Magnetismo e da Cromoterapia, proporcionam alívio físico e emocional;

Saber local: boa parte das terapeutas são moradoras do João Paulo II, valorizando o conhecimento da própria comunidade e gerando oportunidades para quem vive no bairro;

Apoio social: contando com a solidariedade de doadores locais, o Centro realiza a distribuição de cestas básicas para famílias em vulnerabilidade;

Acolhida: o espaço oferece hospedagem para descanso no período de tratamento das terapias, como também sedia atividades de outras instituições;

Formação: o Gianni Bande mantém vivo o projeto com crianças, promovendo oficinas temáticas e reforço escolar para fortalecer a cidadania desde cedo.

Ao cruzar o portão de saída, de volta à agitação da cidade, o corpo não vai embora sozinho. Leva consigo o cheiro da Umburana, a força da Bioenergia e a certeza de que a soberania se constrói de mãos dadas. Porque, para curar a terra, é preciso primeiro curar quem caminha sobre ela.

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Texto e fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa

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