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Com atividades em Curaçá, Remanso, Campo Alegre de Lourdes e Sobradinho, reunindo também agricultores e agricultoras de Casa Nova, Sento-Sé e Juazeiro, foram realizados, entre os dias 21 e 28 de maio, quatro seminários que tiveram no centro do debate o Recaatingamento, a defesa dos Territórios Tradicionais e os desafios impostos pela emergência climática.
Os encontros tiveram como objetivo aprofundar a compreensão sobre o Recaatingamento, metodologia de Convivência com o Semiárido que articula recuperação de áreas degradadas, conservação da biodiversidade, educação ambiental contextualizada e participação ativa das comunidades.
Durante as atividades, foi destacado que o fortalecimento da metodologia precisa caminhar junto ao cuidado com seu sentido político, social e ambiental, envolvendo a valorização da Caatinga em Pé, dos saberes tradicionais, da organização comunitária e dos modos de vida de povos e comunidades que historicamente vivem e cuidam desses territórios.
Para Maria Adimara Ferreira César, da Comunidade Auto das Queimadas, em Juazeiro, o seminário contribuiu para fortalecer a compreensão sobre a importância da Caatinga e das práticas de convivência com o Semiárido. “Esse evento foi muito importante para a nossa comunidade. Porque nós ouvimos muito dizer que a Caatinga não tem nada para oferecer, mas, através desse projeto, nós estamos aprendendo a valorizar nossa Caatinga, a plantar as árvores necessárias para reflorestar as matas e também a guardar água. Quando chega a seca, quem mora no mato sabe a dificuldade; então nós estamos aprendendo a guardar água e valorizar cada ensinamento, que vão ajudar a guardar água para o período da seca”, destacou.
Ela complementa destacando que o cuidado com a Caatinga precisa envolver plantio, proteção do solo e participação coletiva da comunidade. “Eu percebi, através do seminário, que há muito tempo já tinha isso na nossa Caatinga, mas, com os anos, o mato vai diminuindo, o povo vai desmatando e, às vezes, em vez de plantar, de cuidar, está destruindo. Então, hoje, no seminário, eu aprendi que nós devemos valorizar nossa Caatinga, plantando, cuidando do solo, da terra, das plantações, das árvores. Onde estiver precisando de cuidado, nós cuidar; onde não tiver, nós replantar, porque tem muitos cantos que estão ficando sem vegetação nenhuma. E também conscientizar todo mundo para ajudar. A comunidade unida vence, a comunidade junta consegue. Um só não consegue, mas todos juntos conseguem”, afirmou Maria de Mara.
Os seminários também reforçaram a relação entre conservação do bioma, enfrentamento à desertificação, segurança hídrica, produção apropriada e permanência das famílias no campo.
Para Genilde Maria de Castro, da comunidade Desengano, em Sento-Sé, a atividade também foi um momento de aprendizado e de compromisso com a partilha dos conhecimentos no território. “Hoje foi muito bom, muito proveitoso. Tive conhecimento de coisas que eu não sabia que existiam; então o que eu vou levar para minha comunidade é conhecimento, explicar a importância do Recaatingamento. Porque Recaatingamento não é só plantar; é plantar, é cuidar e proteger. A Caatinga ela nos dá, nos ensina. Ela tem tudo que precisamos. A Caatinga nos ensina a conviver com ela e a viver nela. Saio muito feliz e grata por esse aprendizado”, afirmou.
O debate realizado nos municípios dialoga com um momento de maior visibilidade regional e nacional do Recaatingamento, tratado como estratégia importante para a agenda climática do Nordeste. Essa visibilidade também se expressa na mobilização em torno do Programa Recaatingar, defendido por organizações, redes, movimentos sociais e instituições de pesquisa. No dia 27 de maio, após reunirem mais de 100 assinaturas em uma carta de apoio à iniciativa, representantes dessa articulação entregaram o documento ao Governo Federal, defendendo a recuperação de 10 milhões de hectares de terras degradadas na Caatinga. A carta reforça que a restauração precisa estar articulada ao combate à desertificação, à agenda climática e ao reconhecimento do protagonismo das comunidades.
Para Alessandro Santana, técnico do Irpaa que acompanhou as atividades, os seminários aproximaram as famílias atendidas pela ATER de temas estratégicos para o Semiárido. “A troca de conhecimentos e experiências permitiu aprimorar práticas e tecnologias sociais e agroecológicas, além de fortalecer o papel da assessoria técnica na promoção da Convivência com o Semiárido e na recuperação, conservação e preservação da Caatinga”, avaliou.
Os seminários, realizado pelo Irpaa, contaram com apoio dos projetos ATER Bahia Sem Fome, ATER Biomas, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Fundo Clima e do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.
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Texto e fotos: Eixo Comunicação e Educação do Irpaa.